Estou fazendo o final do meu internato na enfermaria pediátrica do Hospital Federal de Bonsucesso.
Lá pude aprender, dentre outras coisas, como muitas vezes as internações são mais sociais do que por motivos de doença.
Temos uma paciente de 10 anos internada por razões patogênicas sim (aliás, um caso um tanto quanto complicado), mas, que também tem fortes questões sociais. Essa menina parece ter sofrido maus tratos pelo pai, não faço a menor idéia do que acontece com a sua mãe, o que sei é que ela, com seus 10 anos de idade, recebe apenas visitas esporádicas de sua avó. Para quem não sabe, crianças tem sempre direito a acompanhantes em suas internações, não estão restritas a visitas, podem ter sempre um familiar com elas.
Nunca tive uma paciente tão carinhosa. Não tenho muita prática, não tenho muita experiência, mas, dentro do pouco que vivi, essa fofa se destaca sem dúvidas. Quando chego para examiná-la, ela (que não fala mas interage bem com o examinador), faz uma festa! Me puxa, me abraça, me beija, e, as vezes, pede para que eu coce suas costas. Adora que eu pegue o hidratante e passe nela, ou que dê para que ela passe. Tem um reloginho de pulso roxo que ela adora usar, e gosta também de colorir. E sempre quando eu tenho que deixá-la para seguir com minhas obrigações parte-se um pedaço do meu coraçãozãozinho, pois ela nunca quer que eu vá.
Essa menina me mostra a cada dia a importância do amor. De receber, sem dúvida, mas, principalmente, de dar. A importância das relações, do carinho e do respeito. A importância de um atendimento humanizado e individualizado para um prognóstico positivo das doenças. E, mais do que isso, como devemos tratar todos bem, com respeito, com leveza, com educação, aquela história que a Igreja prega de "amor ao próximo". E olha que da última vez que eu chequei eu era uma pessoa agnóstica.
Sem dúvida esta mocinha com o amor que vem recebendo da equipe que a acompanha, vem apresentando consideráveis melhoras. E com o amor que vem distribuindo por lá ela vai tocando diversas pessoas, bem como meu tocou, de diversas formas distintas, conferindo a estas um novo ponto de vista, uma nova direção no caminho para a evolução ou qualquer coisa parecida que as pessoas busquem em suas existências.
Preciso aqui destacar e elogiar a equipe de enfermagem da pediatria do HGB. Elas são as pessoas que mais acompanham e, com maior proximidade, os pacientes internados. Atendem com muito carinho aquelas crianças, e nesses "casos sociais" que lotam aquele lugar, são elas quem compram xampú, sabonete, hidratante, etc, para a higiene dessas crianças.
Tem também voluntários que fazem visitas e levam presentes, além dos doutores da alegria, que são palhaços que vão a enfermaria para fazer espetáculos e contar histórias para as crianças.
É muito triste ver alguém tão jovem, tão despreparado, tão indefeso, tão inocente sem o seu porto-seguro principal (a família) para ofertar estabilidade em qualquer momento da vida, em especial nos momentos difíceis como são as internações. Mas, como costumo fazer com tudo na vida, tento focar no lado bom e notar como, se a gente souber olhar, até mesmo num lixão uma flor pode nascer.
Eu também dou um plantão as quartas feiras, como acadêmica (lógico), num pronto-socorro infantil do SUS em São Gonçalo. Ontem eu atendi um menino institucionalizado, a mãe dele morreu de câncer, o pai mora no Espírito Santo e ele não conhece. Ele me disse que a coisa boa que tinha na vida dele era que a avó dele em breve iria adotá-lo.
Para essas, e todas as crianças eu desejo tudo de bom do mundo, que tudo corra bem, que o amor que algumas pessoas ofertam a elas possa permitir a recuperação, a abertura de portas, e uma vida próspera, longa e boa.
Para os adultos que as cercam eu deixo a mensagem que a música dos Beatles enfatiza bem: All you need is love. E desejo que as pessoas possam ter a clareza da importância e do impacto que suas atitudes tem.
Com muito amor,
Valentina
PS:. O título é link para um vídeo bom dos Beatles de All You Need Is Love
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Chimamanda Adichie: The danger of a single story
Como descrito pela genial pessoa que me enviou: Food for thought.
É um vídeo longo, quase 19 minutos, mas que vale muito a pena.
Quem quiser assistir ao vídeo com legenda pode acessá-lo pelo link (basta clicar no título do post).
É um vídeo longo, quase 19 minutos, mas que vale muito a pena.
Quem quiser assistir ao vídeo com legenda pode acessá-lo pelo link (basta clicar no título do post).
Medicina, clinicar, SUS e O Pequeno Príncipe

Para uma pessoa romântica, devota do impossível, do abstrato, com tendência idealista ou poética, que olha para si no sentido de enxergar o ser humano, que compreende que nada que é humano é simples, e que mergulha nesta complexidade-subjetiva, entendendo que subjetivo é algo relativo ao subjectum, do latim, sujeito, para alguém assim, existem, ao meu ver, duas formas de exercer a medicina.
A primeira é em uma micro escala. Na forma que atende cada um de seus pacientes. É basicamente a aplicação daquelas coisas que todos nós podemos fazer todos os dias nas nossas relações, mas, na execução de um trabalho que envolve MUITAS interações humanas. É praticar conhecimento técnico-científico com percepção da unidade corpo-mente, com o conhecimento de que cada ser-humano é único, e que como tal, reage de maneira própria as adversidades da vida. A partir de tudo isso, é adequar o seu tratamento e seu comportamento com o outro de maneira a fazer do processo saúde dele o mais otimizado possível.
A segunda é em uma macro escala. É trabalhar para que o direito a saúde de cada cidadão seja respeitado. É compreender que para a execução de tal justiça necessitamos da prestação de serviços de qualidade, e que para isso, é necessário trabalhar para que a primeira forma descrita de prática seja difundida.
Para se obter êxito no trabalho público deve-se afastar um pouco do individual, porém nunca completamente, para que se possa conhecer suas dificuldades e descobrir suas saídas, pelo menos, de parte delas.
Para clinicar propriamente é necessário que se tenha uma administração pública que permita isso.
Para que se atinja saúde em massa, é necessário encará-la literalmente como uma massa, isso viabiliza o conhecimento dos perfis mais comuns e, consequentemente, a criação de estratégias para sua melhor abordagem. Mas não se pode esquecer que uma massa de pessoas não é homogênea, existe "a tal" da individualidade.
A execução romântica deste, bem como de qualquer trabalho, necessita de uma força motriz: o desejo de deixar um mundo melhor do que aquele que encontrou. Coisa de Miss? Talvez... Mas e daí? O Pequeno Príncipe é maneiro prá caramba!
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segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Doação de órgãos

No panfleto da XII Campanha Nacional de Doação de Órgãos e Tecidos vem escrito assim na capa: "INFORMAÇÃO, A MAIOR AMIGA DA DOAÇÃO DE ÓRGÃOS. Doe Órgãos!" E isso me trouxe a reflexão de quantas pessoas perdem a possibilidade de receber um órgão por ignorância alheia. Resolvi então fazer esse post.
Eu converso com muitas pessoas sobre essas questões "doacionais", e sei que tem muita gente que não tem o desejo de doar nada por um apego ao corpo. Particularmente, sei que quando a minha hora chegar, este aqui de nada mais me servirá, logo, melhor que sirva a alguém. Mas, eu entendo que essas coisas que envolvem corpo, mente, vida e morte mexam muito com a cabeça das pessoas. Noto também que muitas pessoas consideram esquisito o fato de "continuar existindo" no corpo de outra pessoa, e se questionam sobre o tipo de impacto que isso tem. Por considerar impossível entrar neste mérito sem entrar na questão da fé, e por considerar que esta seja algo indiscutível (ou se tem, ou não se tem, não é uma questão de debate), evito a polêmica, fazendo deste post, bem como o último, mais informativo.
1 - COMO SE UM DOADOR DE ÓRGÃOS:
Para ser um doador de órgãos nenhuma burocracia é necessária. Basta o diálogo com familiares, deixando bem claro este desejo. Não há necessidade de deixar nenhum documento assinado, os órgãos somente são doados com a autorização expressa dos familiares. Caso a pessoa tenha manifestado o desejo de doar os órgãos para os familiares em vida, mas estes não assinem o termo de doação no momento da morte dela nada acontece aos órgãos dessa pessoa, já que os familiares não concordaram com a doação.
2 -MORTE ENCEFÁLICA x COMA x ESTADO VEGETATIVO PERSISTENTE:
Morte encefálica, comumente conhecida como morte cerebral, ocorre quando há morte das células cerebrais, é a perda IRREVERSÍVEL das funções vitais, que mantém a vida, ou seja, perda da consciência e da capacidade respiratória, significando que o indivíduo está morto. O coração permanece batendo por pouco tempo e é neste período que os órgãos podem ser utilizados para transplante. Trauma craniano e derrame cerebral podem causar parada irreversível do encéfalo (morte), mas a respiração é mantida por aparelhos e o coração continua batendo por algumas horas, fazendo o sangue circular por outros órgãos (rins, fígado, pulmões, etc.). Estes podem ser doados para outras pessoas através de uma cirurgia de transplante.
O coma é uma lesão cerebral grave, mas as células cerebrais continuam vivas, a pessoa está desacordada e pode ser REVERSÍVEL, portanto o paciente NÃO É DOADOR DE ÓRGÃOS.
No estado vegetativo persistente o paciente tem uma lesão cerebral, permanece em coma por meses ou anos, mas mantém a capacidade de respirar.
CASO um indivíduou em coma ou estado vegetativo persistente evolua para quadro de morte encefálica (que é irreversível), ele poderá se tornar um doador.
3 - DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL ENTRE MORTE ENCEFÁLICA E COMA:
Diferenciar estes dois diagnósticos não é difícil baseado simplesmente em um exame clínico. Esse processo é frequente e muito seguro no Brasil, que possui um dos protocolos de morte encefálica mais rígidos do mundo. Aqui, a morte encefálica precisa ser constatada e registrada por dois médicos especialistas não participantes de equipes de captação e transplantes, mediante utilização de critérios clínicos e tecnológicos definidos por resolução do Conselho Federal de Medicina (ver legislação dos transplantes ). É admitida a presença de médico de confiança da família do falecido no ato da comprovação da morte encefálica.
4 - ÓRGÃOS, COMÉRCIO E SEQUESTRO:
Qualquer manifestação de compra e venda de órgãos é CRIME. Segundo a associação brasileira de transplante de órgãos (ABTO) informa, NENHUM TRANSPLANTE DE ÓRGÃOS É REALIZADO NO BRASIL SEM O CONHECIMENTO DAS CENTRAIS DE TRANSPLANTES das Secretarias de Estado de Saúde, portanto esta possibilidade não ocorre. Doação é um ato de livre e espontânea vontade e de amor ao próximo. Além disso a ABTO também relata que o transplante é uma operação muito delicada, realizada apenas em centro cirúrgico de hospitais especializados e que os órgãos são distribuídos para estes hospitais pelas centrais de transplantes, portanto, as notícias veiculadas principalmente por correio eletrônico de que pessoas são sequestradas e tem seus órgãos roubados são completamente infundadas e apenas prestam desserviço `a população.
5 - DOAÇÃO EM VIDA X DOAÇÃO APÓS A MORTE:
A doação em vida é permitida apenas nos seguintes casos:
-Órgãos duplos ou partes de órgãos, cuja retirada não cause transtornos à vida do doador;
- Quando não há grave comprometimento das aptidões vitais e da saúde mental;
- Quando não causa mutilação ou deformidade inaceitável.
Os exemplos mais comuns são: doação de um dos rins, de parte do fígado ou de parte do pulmão.
A doação após a morte divide-se na doação com o coração batendo, que permite a transferência de coração, fígado, rins, pulmão, pâncreas, córneas, pele, ossos, valva cardíaca e intestino, e na doação com o coração parado, que permite apenas a transferência de córneas, pele, valvas cardíacas e ossos.
6 - SOBRE OS RECEPTORES:
São receptores os pacientes que estão na Lista Única de Transplantes. É necessário seguir o tempo de espera e a compatibilidade sangüínea entre o doador e o receptor. Para alguns órgãos, também é necessário que haja compatibilidade HLA. Cada vez que surge um doador, é feita a seleção dos possíveis receptores, considerando, sobretudo, a ordem cronológica de inscrição na Lista Única, que corresponde ao tempo de espera para o transplante. Para órgãos sólidos, considera-se também grupo sangüíneo, peso e altura do doador, o que é dispensável para o transplante de tecidos. Assim, o mais antigo nem sempre será o primeiro a receber o órgão. O doador realiza alguns exames sorológicos para afastar infecções, tais como, HIV e hepatite B e C. Se algum exame for positivo, as equipes transplantadoras podem selecionar receptores portadores da mesma infecção, mesmo que esses não sejam os primeiros da Lista. O receptor selecionado pode não ser transplantado devido a falta de condições clínicas temporárias, ou por não ter sido localizado pela equipe. Desta forma, o transplante será realizado no próximo paciente da Lista, sendo garantida a mesma posição daquele que foi preterido desta vez.
7 - SOBRE O CORPO DO DOADOR:
A retirada de órgãos é um procedimento cirúrgico muito delicado que não causa mutilação do corpo. São retirados apenas os órgãos para ser transplantados, como se fosse uma cirurgia de rotina, após, o corpo é liberado aos familiares para o sepultamento.
8 - CUSTOS DA DOAÇÃO:
Não há nenhum custo envolvido em todo o processo para os familiares. Quem arca com todas as despesas é o SUS.
Informações sobre doação de órgãos e tecidos:
Disk Saúde 0800 61 1997
Sistema Nacional de Transplantes (61) 3306-8212
ABTO (11) 3283-1753 / 3262-3353
Site da ABTO: http://www.abto.org.br/
Guia SUS RJ: http://portal.saude.rj.gov.br/Guia_sus_cidadao/pg_82.shtml
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Audioteca Sal e Luz - UTILIDADE PÚBLICA!

Audioteca Sal e Luz
Rua Primeiro de Março, 125- 7o andar, Centro- RJ. CEP 20010-000
Fone: (21) 2233-8007
Horário de atendimento: 08:00 às 16:00 horas
http://audioteca.org.br/noticias.htm
A AUDIOTECA SAL E LUZ é uma instituição filantrópica que produz e empresta audiolivros gratuitamente.
Os audiolivros permitem deficientes visuais e cegos a experiência da leitura, que, na minha opinião, é muito importante para a existência de alguém. Permite viagens sem sair do lugar, sem custo, sem ajuda de ninguém. Exercita o cérebro, instiga a curiosidade, instrui, permite acesso a instituições de ensino, informa, desenvolve raciocínios,... enfim, facilita a vida, nos tirando da sobrevivência.
A AUDIOTECA SAL E LUZ tem um acervo com mais de 2.700 títulos que vão desde literatura em geral, passando por textos religiosos até textos e provas corrigidas voltadas para concursos públicos em geral que são emprestados em diferentes mídias, K7, CD ou mp3.
Muito legal, né?!
O governo ajuda financeiramente este trabalho, porém, para que a ajuda seja mantida a instituição precisa mostrar resultados, eles precisam atingir um número significativo de associados, que realmente contemplem o trabalho, caso contrário ele será extinto.
Para ter acesso ao acervo basta se associar na sede, na Rua Primeiro de Março, 125, Centro, RJ. Não precisa ser morador do Rio de Janeiro! Devido a dificuldade de locomoção de cegos pela nossa cidade eles também podem solicitar o livro pelo telefone (2233-8007), escolhendo o título pelo site (http://audioteca.org.br/noticias.htm), e será enviado GRATUITAMENTE pelos Correios.
É muito importante divulgar esse tipo de informação! Tenho certeza de que o serviço não tem pouca procura por falta de interesse nele, mas sim, pela falta de conhecimento de sua existência! Divulguem!
Audioteca Sal e Luz
Rua Primeiro de Março, 125- 7o andar, Centro- RJ. CEP 20010-000
Fone: (21) 2233-8007
Horário de atendimento: 08:00 às 16:00 horas
http://audioteca.org.br/noticias.htm
Seria tão mais fácil se o que fosse necessário para as coisas funcionarem no mundo fosse divulgação, boa vontade, conversa, e não dinheiro...
Será????
sábado, 19 de junho de 2010
Doação de Medula Óssea
Tem entre 18 e 55 anos? Cadastre-se!
A medula óssea é um tecido líquido-gelatinoso que fica dentro dos ossos, é o "tútano". Na medula são produzidos os componentes do sangue: hemácias, leucócitos e plaquetas. Ela é rica em células tronco, essas células são simplesmente células "iniciais", ou seja, aquelas com capacidade de se diferenciar em diversos tipos de células dependendo do estímulo que receberem.
Medula óssea não é a mesma coisa que medula espinhal, a medula espinhal é formada por tecido nervoso e fica dentro da coluna. Sua função é transmitir os impulsos nervosos.
As células do sangue tem uma duração, um tempo de vida, por isso são produzidas constantemente. As hemácias que alguém tem hoje não são as mesmas do começo do ano, por exemplo.
A doação de medula não é igual a de sangue, ela precisa de uma compatibilidade de genes, então, ninguém chega lá e simplesmente doa.
O indivíduo voluntário vai ao centro de coleta, preenche uma ficha com alguns dados, após isso é coletado um pouquinho, pouco mesmo, 5 ml de sangue, e aí os genes serão mapeados.
Tudo vai para um banco de dados, os registros de doadores coletados em todo o Brasil formam o Registro de Doadores de Medula (REDOME), unificado.
É muito difícil achar pessoas compatíveis, por isso, quanto mais gente, melhor.
Um indivíduo que necessite da doação terá a busca efetuada inicialmente no REDOME e, caso não seja encontrado doador compatível, a busca é estendida para os registros de todo o mundo, que estão integrados em um mesmo universo para consultas, chamado Bone Marrow Donors Worldwide (BMDW).
Caso seja encontrada compatibilidade entre um doador e um potencial receptor, eles entram em contato para que possam ser feitos novos exames com o intuito de confirmar a compatibilidade e o perfeito estado de saúde do doador. Sendo compatível e estando em bom estado de saúde, o voluntário é consultado sobre a doação. Mesmo que tenha o cadastro e tudo, ninguém é obrigado a doar.
Caso queira, vai prá doação propriamente dita.
A doação também é diferente de uma doação de sangue normal, é feita em centro cirúrgico, sob anestesia, e precisa de internação de um dia. O procedimento é rápido e simples. É feita uma punção na medula na região da bacia e então tira-se um pouco do conteúdo por aspiração.
Existe um outro jeito de fazer, que é pela veia, precisa tomar um remédio antes por 5 dias, mas não sei quais são os critérios para fazer um ou o outro e acredito que o primeiro seja mais comum.
Extrai-se aproximadamente 10% da medula. Dentro de poucas semanas a quantidade já está recomposta no doador.
A doação de medula não limita o doador em absolutamente nada, ele não perde a sua medula. Uma medula funcionante é renovável, ela "se procria", então o seu corpo repõe o que você perdeu. Não é como no caso de um rim, que o doador perde o órgão. As células que ficaram (+ ou - 90% do que existia antes da doação) vão se replicar, reconstituindo, portanto, a sua medula.
Os riscos para o doador são poucos e são relacionados a um procedimento que necessita de anestesia. No caso é feito (como em qlqr procedimento cirurgico anestesico) um risco pré-operatório, que é praticamente nulo para um jovem saudável.
Mesmo dentro de uma família é difícil encontrar compatibilidade. Devido a mistureba do povo brasileiro, a procura pelo doador ideal é dificultada, por isso, um número cada vez maior de pessoas que queiram doar facilita o encontro de medulas compatíveis. A chance de se encontrar uma medula óssea compatível no Brasil hoje é de 1 em 1milhão. Com uma maior quantidade de pessoas cadastradas esse número pode mudar.
É um procedimento muito simples. E pode permitir a vida de alguém.
Quem precisa de transplante de medula são pessoas com produção anormal de células sanguíneas, normalmente causada por um câncer no sangue (as leucemias), e portadores de aplasia de medula. Por exemplo, na anemia aplástica a medula do doente não produz as células do sangue. Já a leucemia é um tipo de câncer que afeta as células de defesa, os leucócitos, tanto na função quanto na velocidade do crescimento. Para muitas dessas pessoas o transplante de medula é A esperança de cura.
Respeito pensamentos e decisões individuais a cerca dos seus próprios corpos, é claro, mas informo aquilo que julgo válido, importante e útil. Meu cadastro de medula já está feito.
Se quiserem se informar melhor:
http://www.hemorio.rj.gov.br/
http://www1.inca.gov.br/conteudo_view.asp?ID=64
Listo abaixo endereços e telefones de hemocentros em todo o Brasil, e quem estiver em condições de doar sangue/plaquetas pode aproveitar e fazer isso no mesmo dia que for fazer o cadastro!
Ah! No dia 22/06, de 09:00-16:00 em frente a biblioteca do CCS no Fundão vai ter uma equipe do HEMORIO cadastrando doadores.
No dia 27/06, de 09:00-14:00 no CIB, em Copacabana, haverá uma equipe do HEMORIO cadastrando doadores.
REGIÃO NORTE
Amazonas
Centro de Hemoterapia e Hematologia do Amazonas - HEMOAM
Av. Constantino Nery , 4397 - Chapada - Manaus
CEP: 69.055-002
Telefone: (92) 3655-0100
Pará
Centro de Hemoterapia e Hematologia do Pará - HEMOPA
Trav. Padre Eutiquio, nº 2109 - Batista Campos - Belém
CEP: 66.033-000
Telefone: (91) 3242-9100 / 6905
Acre
Centro de Hemoterapia e Hematologia do Acre - HEMOACRE
Av. Getúlio Vargas, nº 2787 - Vila Ivonete - Rio Branco
CEP: 69.914-500
Telefone: (68) 3228-1494
Amapá
Centro de Hemoterapia e Hematologia do Amapá - HEMOAP
Av. Raimundo Álvares da Costa, s/nº - Centro - Macapá
CEP: 68.908-170
Telefone: (96) 3212-6139 / 3223-6289
Rondônia
Centro de Hematologia e Hemoterapia de Rondônia - HEMERON
Av. Circular II, s/nº - Setor Industrial - Porto Velho
CEP: 78.900-970
Telefone: (69) 3216-5489 / 9957-3000
Tocantins
Centro de Hemoterapia e Hematologia de Tocantins – HEMOTO
Quadra 301 Norte - Conj. 02 Lt.1 - Palmas
CEP: 77.030-010
Telefone: (63) 3218-3285
REGIÃO NORDESTE
Bahia
Centro de Hematologia e Hemoterapia da Bahia - HEMOBA
Av. Vasco da Gama, s/nº Rio Vermelho - Salvador
CEP: 40.240-090
Telefone: (71) 3116-5600 / 3116-5661
Alagoas
Centro de Hematologia e Hemoterapia de Alagoas - HEMOAL
Av. Jorge de Lima, nº 58 - Trapiche da Barra - Maceió
CEP: 57.010-382
Telefone: (82) 3315-2106 / 3315-2102
Sergipe
Centro de Hematologia e Hemoterapia de Sergipe - HEMOSE
Av. Trancredo Neves, s/nº - Centro Adm. Gov. Augusto Franco - Aracaju
CEP: 49.080-470
Telefone: (79) 3259-3191
Paraíba
Centro de Hematologia e Hemoterapia da Paraíba - HEMOÍBA
Av. D. Pedro II, 1119 - Torre - João Pessoa
CEP: 58.013-420
Telefone: (83) 3218-7610
Maranhão
Centro de Hematologia e Hemoterapia do Maranhão - HEMOMAR
Rua 5 de Janeiro, s/nº - Jordoa - São Luis
CEP: 65.040-450
Telefone: (98) 3216-1100 / 0800-280-6565
Rio Grande do Norte
Centro de Hematologia e Hemoterapia do Rio Grande do Norte - HEMONORTE
Av. Almirante Alexandrino de Alencar, 1800 - Tirol - Natal
CEP: 59.015-350
Telefone: (84) 3232-6702 / 3232-6767
Fax: (84) 3232-6703
Piauí
Centro de Hematologia e Hemoterapia do Piauí - HEMOPI
Rua 1º de maio, 235 - Centro - Teresina
CEP: 64.001-430
Telefone: (86) 3221-4927 / 3221- 4989
Fax: (86) 221-7600
Pernambuco
Centro de Hematologia de Pernambuco - HEMOPE
Rua Joaquim Nabuco, 171 – Graças – Recife
CEP: 52.011-900
Telefone: (81) 3416-4723
Ceará
Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará - HEMOCE
Av. José Bastos, 3.390 – Rodolfo Teófilo - Fortaleza
CEP: 60.440-261
Telefone: (85) 3101-2296
REGIÃO SUDESTE
Rio de Janeiro
Instituto Estadual de Hematologia Arthur de Siqueira Cavalcanti - HEMORIO
Rua Frei Caneca, 8 – Centro – Rio de Janeiro
CEP: 20.211-030
Telefone: (21) 2509-1290
Instituto Nacional de Câncer - INCA
Praça da Cruz Vermelha, 23 – 2º andar – Centro – Rio de Janeiro
CEP: 20.230-130
Telefone: (21) 2506-6580
Espírito Santo
Centro de Hemoterapia e Hematologia do Espírito Santo - HEMOES
Av. Marechal Campos,1468 - Maruípe - Vitória
CEP: 29.040-090
Telefone: (27) 3137-2458 / 3137-2463 / 2438
Hemocentro Regional de São Mateus
Av. Otovarino Duarte Santos, km. 2, s/nº - Parque Washington – São Mateus
CEP.: 29930-000
Telefone: (27) 3773-7226
Minas Gerais
Fundação HEMOMINAS
Alameda Ezequiel Dias, 321 – Centro – Belo Horizonte
CEP: 30.130-110
Telefone: (31) 3248-4515 / 3248-4516
Hemocentro Regional de Juiz de Fora
Rua Barão de Cataguases, s/nº – Centro
CEP.: 38015-370
Telefone: (32) 3216-3000
São Paulo
Santa Casa de Misericórdia
Rua Marquês de Itu, 579 – Vila Buarque – São Paulo
CEP: 01221-001
Telefone: (11) 2176-7000 / 0800-167-055
Hemocentro Regional de Ribeirão Preto
Rua Tenente Catão Roxo 2501 – Monte Alegre
CEP: 14.051-140
Telefone: (11) 3963-9300
Hemocentro Regional de Marília
Rua Lourival Freire, 240 - Fragata
CEP: 17.519-050
Telefone: (14) 3402-1868 / 3402-1866
Hemocentro Regional de Campinas
Rua Carlos Chagas, 480 – Hemocentro da Unicamp
CEP: 13.083-878
Telefone: (19) 3788-8740
Núcleo de Hemoterapia de Franca
Av. Dr. Hélio Palermo, 4181 – Santa Eugênia
CEP.: 14409-045
Telefone: (16) 3727-3666
Hospital de Câncer de Barretos - Fundação Pio XII
Rua Antenor Duarte Vilela, 1331 - Dr. Paulo Prata
Telefone: (17) 3321-6600
Hemonúcleo Hospital Universitário de Taubaté
Av. Granadiero Guimarães, 270
CEP.: 12020-130
Telefone: (12) 3633-4422 – ramal: 7623 / 7593
Hemocentro São José do Rio Preto
Av. Jamil Feres Kfouri, 80 – Jardim Panorama
Telefone: (17) 3201-5151 / 3201-5078
REGIÃO SUL
Rio Grande do Sul
Centro de Hemoterapia e Hematologia do Rio Grande do Sul - HEMORGS
Av. Bento Gonçalves nº 3.722 - Partenon - Porto Alegre
CEP: 90650-001
Telefone: (51) 3336-6755 / 3336-2843
Hemocentro Regional de Santa Rosa
Rua: Boa Vista, 401, Centro
CEP.: 98900-000
Telefone: (55) 3511-4343
Santa Catarina
Centro de Hemoterapia e Hematologia de Santa Catarina - HEMOSC
Av. Othon Gama D’eça, 756 Praça D. Pedro I - Centro – Florianópolis
CEP: 88015-240
Telefone: (48) 3251-9711 / 3251-9712 / 3251-9713
HEMOSC Chapecó
Rua São Leopoldo – Quadra 1309 – Esplanada
CEP: 89.811-000
Telefone: (49) 3329-0550
HEMOSC Criciúma
Av. centenário, 1700 – Santa Bárbara
Cep. 88.804-001
Telefone: (48) 3433-6611
HEMOSC Joaçaba
Avenida XV de Novembro, 49 – Centro
Cep. 89.600-000
Telefone: (49) 3522-2811
HEMOSC Joinville
Av. Getúlio Vargas, 198 - anexo ao Hospital Municipal São José
Cep.: 89.202-000
Telefone: (47) 3433-1378
HEMOSC Lages
Rua Felipe Schmidt, 33 – Centro
Cep. 88501-310
Telefone: (49) 3222-3922
Posto de Coleta de Tubarão
Rua Rui Barbosa, 339 – anexo a Gerência de Saúde
Fone: (48) 3621-2405
Paraná
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sexta-feira, 18 de junho de 2010
Em ritmo de Copa!

A morte súbita no esporte é algo que ganha espaço considerável na mídia quando ocorre com atletas profissionais.
Atletas profissionais, teoricamente, símbolo de saúde.
Teoricamente, afinal, os craques que nos fazem questionar se são crack ou cocaína, deixam claro quanto a teoria pode se distanciar da prática em determinados casos.
A morte súbita relacionada ao exercício e ao esporte (MSEE) é um evento raro, e, normalmente previsível. Diversas são as causas que podem culminar nele, e, distinguem-se basicamente em dois grupos: aquelas que acomentem indivíduos abaixo dos 35 anos, e aquelas que ocorrem acima desta faixa etária.
A diretriz da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte sobre MSEE frisa a importância de exames clínico e complementares prévia a participação de indivíduos envolvidos em prática de exercícios. Isso se justifica pois, como já exposto anteriormente, a maioria dos casos deste evento fulminante ocorre por razões detectáveis e, consequentemente, previníveis.
Além disso a SBME agrega importância a existência de uma boa infra estrutura do ponto de vista médico nos locais de treinamento e competição para um pronto atendimento em situações emergenciais.
O sedentarismo traz prejuízos a saúde por diversas razões, e isso é tão dito hoje em dia que já se tornou senso comum. Por isso, muitos são aqueles que acreditam estar investindo na vida longa (ou ao menos estão diminuindo sua crise de consciência) com aquela pelada no final de semana. MAS, eu advirto agora: A prática de exercícios extenuantes eventuais pode ser extremamente prejudicial a saúde!
O corpo dos chamados "atletas de fim de semana" não está preparado para realizar uma determinada intensidade de trabalho. Assim, o exercício se torna um gatilho de um evento cardíaco, que pode, inclusive, ser a morte súbita.
Além disso, os benefícios a saúde não são alcançados para aqueles cuja prática de exercícios não é regular. Não dar sequência ao trabalho iniciado não melhora a condição física.
Como fugir do sedentarismo?
Bom, para os indivíduos que gostam de se exercitar, a resposta é simples: Procure a atividade mais prazerosa, e faça dela um hábito!
Mas, para aqueles que não gostam de fazer exercícios e se armam de desculpas para evitá-los, fica aqui a dica:
Pequenas atitudes podem transformam qualquer um em alguém mais saudável. Optar pela escada em vez de utilizar o elevador, estacionar o carro um pouco mais distante e caminhar, dispensar o controle remoto são algumas possibilidades.
A caminhada é o exercício físico mais recomendado pelos médicos. Sua prática ideal é de no mínimo 30 minutos cinco vezes por semana. Diferentemente da corrida, este esporte não costuma sobrecarregar os joelhos, já que o impacto é reduzido. Inicie com 5 minutos, e vá aumentando conforme sua disposição. Ninguém sai do zero e vai para 100 de um dia para o outro.
É importante manter uma ingesta de água antes, durante e após os exercícios.
Aqueles que pretendem deixar o sedentarismo de lado devem consultar um médico antes do início da prática, para que ele possa avaliar as possibilidades individuais, auxiliando na escolha da atividade mais adequada, e, reduzindo a possibilidade de eventos fulminantes.
Aproveitem a Copa do Mundo, inspirem-se! Não deixem a pelada do final de semana de lado, mas, agreguem a ela caminhadas diárias! Ou, outra atividade prazerosa! O importante é se mexer!
Aqueles que não tem a intenção de modificar o estilo de vida, pretendem continuar como atletas de final de semana, sugiro o futebol de botão ou o totó no lugar da pelada! =D
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Pena

De acordo com o "Seu Houaiss", pena é:
1 - sanção aplicada como punição ou como reparação por uma ação julgada repreensível; castigo, condenação, penitência.
1.1 - JUR sanção prevista pelo legislador e aplicada pelos órgãos jurídicos competentes
2 - profundo sofrimento; aflição
3 - sentimento de pena com relação a alguém, a si mesmo ou alguma coisa; compaixão, dó
4 - desgosto recolhido cujas marcas transparecem no semblante, nas palavras; tristeza, amargura, pesar
...
Além de um monte de outras coisas, inclusive aquelas estruturas ceratinizadas que revestem o corpo de uma ave. =D
Duas folhas prá frente e o seu Houaiss me define penitenciária:
JUR estabelecimento em que, sob sistema penitenciário, recolhem-se as pessoas condenadas a penas de privação de liberdade, para que ali as cumpram.
A etimologia da palavra esclarece mais um pouco, penitenciária vem de penitência + ária. Penitência é remorso, arrependimento por um erro que se cometeu. O sufixo -ária, de uma maneira simplificada, está relacionado com lugar, logo, penitenciária pode ser entendido como o local onde se vive o arrependimento do erro cometido.
Não sou uma profunda conhecedora do nosso sistema penitenciário. Mal sou superficial conhecedora dele, na verdade. Mas me peguei pensando sobre as "coincidências" (não sei se acredito em coincidências) da pena. Pena é a punição que alguém recebe por ter tido uma conduta fora dos padrões estabelecidos pela ordem local. E ao mesmo tempo é aquele sentimento que dói no coração e na barriga de quem sente, na minha opinião um dos piores de sentir. Acho-o tão ruim que evito ao máximo experimentá-lo, se é que é possível se evitar um sentimento, mas, que me preenche toda vez que reflito a cerca das prisões nacionais.
Sinto pena de quem está na prisão cumprindo pena.
Sou romântica e otimista, mas sei que não posso afirmar que todos os cárceres são vítimas da sociedade, da realidade, da conjuntura.
Tenho fé nas pessoas, acredito na educação, e sei que, ao contrário do que muitos afirmam, as pessoas mudam. Estar vivo é estar em movimento. Penso também que nunca é tarde para mudar ou começar algo, tarde demais talvez seja simplesmente um momento que não se deseja viver.
Muitas pessoas cometem delitos por falta de educação. Sem educação dificilmente haverá oportunidades boas de carreira para seguir. Além disso, a auto estima baixa que a ausência do estudo pode conferir a alguém afasta o pensamento de capacidade. Soma-se a isso a ignorância, o desconhecimento de que existem muitos caminhos. Seres humanos vivem em contextos, seus contextos são a sua realidade.
As condições em uma cadeia são horríveis. Desumanas. Além do que, ser privado de sua liberdade é, na minha opinião, uma das piores coisas que se pode experimentar. Estar preso é, de certa forma, morrer. Uma morte social. E como toda morte, é eterna, afinal, o sistema penitenciária não oferece mecanismos viáveis e funcionais de reinserção dos indivíduos na sociedade.
O assunto é extremamente complicado, por isso muito difícil de disertar sobre, todavia minha pretensão aqui não é dar soluções simples de curto prazo, mas sim atentar para a importância das reflexões, dos diálogos a cerca do tema, para que as ações possam começar a surgir.
Acredito que uma instituição de pena para adultos deveria prover condições de VIDA - friso, VIDA e não sobrevivência - dignas e humanas. Além disso, seria de grande utilidade a existência de cursos técnicos profissionalizantes, ferramentas passíveis de uso para quando o preso retornar a liberdade, necessitando recomeçar sua vida.
Oficinas de vídeo, produção de texto, culinária, dentre outras, com profissionais das áreas seria uma forma de lazer que serviria para elevar a auto estima e a percepção de que existem outros caminhos. Digamos, por exemplo, que um preso nunca escreveu uma crônica. Aliás, ele nunca sequer leu uma. Mas ele não perde um jogo de futebol do seu time do coração, ou melhor, não perdia.
Na prisão ele frequenta a oficina da palavra, além de aulas de português, literatura, e técnicas de texto, cronistas bem sucedidos são convidados para ministrar algumas palestras.
Esse cárcere vai descobrir a existência de João Saldanha, por exemplo, vai ler os textos dele, e vai produzir as suas próprias crônicas de futebol com os jogos e experiência que estão na sua memória.
Não, ele não precisa sair dali e virar um cronista. Mas ele vai descobrir algumas coisas: pode-se viver de escrever. Leitura pode ser agradável, e pode ser sobre qualquer coisa, e, talvez o mais importante, ele tem capacidade de escrever.
Ao perceber que ele pode fazer algo que anteriormente nunca pensou talvez perceba que é hábil para fazer o que quiser, e que existe mais um monte de coisas que ele também nunca pensou. Isso eleva a percepção de si mesmo.
Soma-se a isso o fato de que, para produzir seus textos estará revivendo seus momentos alegres com sua paixão do lado de fora, isso faz bem.
Não, não acho que é simples assim. Sei que "o buraco é mais embaixo", que existem diversas questões dentro da temática.
Os reacionários de plantão diriam logo que eu idealizo uma prisão na qual é bom estar. Que preso tem mais é que se dar mal. Bandido bom é bandido morto. Que o cara é um safado e eu querendo que ele aprenda a escrever crônicas... e por aí vai. Aos que seguem mais ou menos essa linha de raciocínio deixo Cecília Meireles falar por mim:
"...Liberdade, essa palavra
que o sonho humano alimenta
que não há ninguém que explique
e ninguém que não entenda..."
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Dia Mundial Sem Tabaco





Desde 1987 a OMS articula com 192 países a comemoração do dia mundial sem tabaco (31/05), definindo um tema ligado ao tabagismo, com o objetivo de atrair a atenção de todo o mundo sobre esta epidemia e as doenças e mortes evitáveis a ela relacionadas.
Este ano a idéia é colocar a atenção nos efeitos maléficos do "marketing tabágico" sobre as mulheres e meninas ("Gênero e tabaco com ênfase no marketing para mulheres").
As ações visam a alertar sobre as estratégias que a indústria do tabaco utiliza para atingir o público feminino e acerca dos males que seus produtos causam à saúde dessa população e ao meio-ambiente.
Eles também destacam a necessidade de se banir toda a propaganda, promoção e patrocínios da indústria tabagista. Claro que sempre respeitando as constituições e princípios constitucionais dos países.
O número de homens fumantes ainda é maior do que o de mulheres, mas o sexo feminino cresce cada vez mais nas estatísticas.
Por que a OMS, o INCA, e diversas outras organizações sérias e respeitadas em saúde conferem tamanha importância o tabagismo?
O tabagismo é considerado pela Organização Mundial da Saúde a principal causa de morte evitável em todo o mundo. A OMS estima que um terço da população mundial adulta, isto é, 1 bilhão e 200 milhões de pessoas sejam fumantes.
O total de mortes devido ao uso do tabaco atingiu a cifra de 4,9 milhões de mortes anuais, o que corresponde a mais de 10 mil mortes por dia. Caso as atuais tendências de expansão do seu consumo sejam mantidas, esses números aumentarão para 10 milhões de mortes anuais por volta do ano 2030, sendo metade delas em indivíduos em idade produtiva (entre 35 e 69 anos) (WHO, 2003).
No site do INCA sobre tabagismo tem um texto muito, muito interessante sobre os jovens e as mulheres na mira da indústria do tabaco. Vale muito a pena:
http://www.inca.gov.br/tabagismo/frameset.asp?item=jovem&link=namira.htm
Nesta publicação eles citam, e inclusive disponibilizam em pdf, os artigos secretos da indústria do tabaco, que são oriundos de documentos internos de grandes multinacionais do tabaco, revelados durante uma ação judicial movida por estados norte-americanos contra elas. Nestes documentos crianças e jovens são descritos como "reservas de reabastecimento".
E por que o foco nas mulheres? Mais uma forma de machismo fantasiado de qualquer outra coisa?
Eu não acho. Com a rápida alteração de seu papel social, esta fatia da população tornou-se um dos alvos prediletos da publicidade e da indústria do tabaco, que passou a imprimir ao "tubinho de câncer" uma imagem de emancipação e independência.
Estudos confirmam: hoje as meninas experimentam cigarros em maior proporção do que os meninos.
Ainda que a população de homens fumantes seja maior do que a de mulheres, a população de mulheres fumantes cresce mais do que a de homens.
Além disso, os malefícios nas mulheres tem particularidades próprias ao sexo. A mulher fumante tem maior risco de infertilidade, câncer de colo do útero, menopausa precoce e sangramento irregular. Além disso, as gestantes fumantes correm mais risco de sofrerem abortos, terem filhos prematuros, pequenos para a idade gestacional, com disfunções pulmonares, e a lista continua. A interação de anticoncepcional hormonal com o tabaco aumenta as chances de trombose e AVC.
Agora que já veiculei alguma informação importante sobre o tema, vou deixar uma dica de um filme: Obrigado por fumar. Assistam, é alimento para o pensar, até por que um bom filme é uma forma excelente de se refletir para poder debater.
Clima de documentário e comédia, é engraçado, inteligente, toca em assuntos polêmicos que dificilmente escapariam de um tom panfletário de uma maneira muito audaciosa. Exige do telespectador um certo gosto pelo sarcasmo. Além de provocar boas reflexões, provoca excelentes risadas.
Aqui tem uma crítica do filme que eu gostei:
http://omelete.com.br/cinema/critica-obrigado-por-fumar/
Espero que assistam e que gostem.
domingo, 2 de maio de 2010
Siga o seu coelho.
"De perto ninguém é normal." - Caetano Veloso, Vaca Profana
Não gosto muito de Caê! (Pronto. Começo logo dando uma razão para meio mundo me chamar de ignorante para baixo.) Valorizo o trabalho do homem, claro, mas não sou uma grande admiradora de sua obra, tampouco (muito menos seria mais bem aplicado) de sua pessoa. Mas dentre tantas coisas que ele já disse, essa frase da música Vaca Profana, é das mais inteligentes já proferidas pelo indivíduo em questão.
De perto ninguém, ninguém! é normal. Claro que existem aqueles que de longe já demonstram seu "anormalismo". Normal, normal...
Se ninguém é normal, quer seja de perto, quer seja de longe, podemos concluir que o normal, anormal é, e o anormal deve, portanto, ser normalíssimo.
Aqueles que, como eu, questionam sua lucidez frequentemente, encontram nessas palavras alguma paz. De perto ninguém é normal, nem eu.
A percepção do ser como único e individual vai de encontro com essa frase.
Por exemplo, a temperatura de 37ºC, nem considerada febre pelos médicos, é capaz de deixar o meu avô delirando. Isso é dele, e não adianta buscar tal conhecimento em livro algum, pois para ter o saber das partcularidades de cada um deve-se ter conhecimento prático com os indivíduos. De perto, não há padrão. Quando o conhecimento sobre o outro migra da superfície para as profundezas do ser percebemos: É muito difícil tentar desvendar alguém a partir do padrão estabelecido tendo como base uma massa.
O que é uma doença? Uma doença é um conjunto de sinais e sintomas oriundos de uma alteração da homeostasia. Então, basicamente, ao longo dos anos médicos foram juntando alterações comuns em indivíduos distintos, aglomerando-as e catalogando-as para poder dar um nome e um tratamento.
Hoje em dia as doenças da moda (e os remédios da moda) são as psiquiátricas.
Terminou um namoro com alguém que amava verdadeiramente e não quer sair da cama? Deve ser depressão! Foi demitido e não sabe como vai sustentar seus filhos? Talvez uma fluoxetina ajude você a seguir em frente...
NOT!
Sofrer é normal. Ou seria anormal? Enfim, experimentar sentimentos nem tão agradáveis, e por vezes completamente desagradáveis, faz parte dessa longa jornada que é a vida (bregão!). Isso facilita a compreenssão das coisas, e, consequentemente, de nós mesmos. E assim permite que nós consigamos seguir em frente, e no futuro lidemos melhor com os eventos indesejados que surgirão. Sim, eles continuarão surgindo sempre!
A excessiva veiculação na mídia das doenças psiquiátricas unida a ausência de interesses legítimos dos médicos, veio como um grande disserviço a população mundial do século XXI.
Com diagnóstico extremamente subjetivo e seus nomes na boca do povo, as doenças psquiátricas acabaram sendo banalizadas e levaram consigo suas drogas para a banalização.
Talvez, se Lewis Carroll vivesse hoje e contasse a um médico as diversas coisas que se passavam em sua mente, teria sido medicado, dopado, adormecido, e exerceria uma profissão qualquer ao invés de canalizar a sua "loucura" para o papel e produzir obras que ficariam como herança para a humanidade.
Aliás, Lewis Carroll foi um exemplo, mas poderia citar ainda, Salvador Dali, Picasso, Einstein, dentre muitos. Dizem que a linha que separa a genialidade da loucura é muito fina. Talvez em alguns casos a diferença não seja necessariamente o lado da linha que se está, mas sim o que se faz neste lugar.
Não quero aqui desmerecer as doenças psiquiátricas e tampouco seus tratamentos. Quero apenas lembrar que cada caso é um caso, e que devido a individualidade de cada um, merecem atenção e tratamento personalizados e não protocolados.
A filosofia clínica, ramo da filosofia que descobri recentemente, fala (dentre várias coisas, obviamente) que as pessoas tem formas distintas de expressar suas emoções. Pode ser falando, pintando, desenhando, compondo, cozinhando, e a lista continua. Concordo. E acho um máximo alguém ter descrito tal percepção.
Tanto esta percepção quanto a frase de Caê são totalmente óbvias. Mas as coisas óbvias, muitas vezes, ficam de lado, não recebem atenção, e portanto, quando ditas, se tornam grandes sacadas!
"Common sense is the least common of all the senses"
Não gosto muito de Caê! (Pronto. Começo logo dando uma razão para meio mundo me chamar de ignorante para baixo.) Valorizo o trabalho do homem, claro, mas não sou uma grande admiradora de sua obra, tampouco (muito menos seria mais bem aplicado) de sua pessoa. Mas dentre tantas coisas que ele já disse, essa frase da música Vaca Profana, é das mais inteligentes já proferidas pelo indivíduo em questão.
De perto ninguém, ninguém! é normal. Claro que existem aqueles que de longe já demonstram seu "anormalismo". Normal, normal...
Se ninguém é normal, quer seja de perto, quer seja de longe, podemos concluir que o normal, anormal é, e o anormal deve, portanto, ser normalíssimo.
Aqueles que, como eu, questionam sua lucidez frequentemente, encontram nessas palavras alguma paz. De perto ninguém é normal, nem eu.
A percepção do ser como único e individual vai de encontro com essa frase.
Por exemplo, a temperatura de 37ºC, nem considerada febre pelos médicos, é capaz de deixar o meu avô delirando. Isso é dele, e não adianta buscar tal conhecimento em livro algum, pois para ter o saber das partcularidades de cada um deve-se ter conhecimento prático com os indivíduos. De perto, não há padrão. Quando o conhecimento sobre o outro migra da superfície para as profundezas do ser percebemos: É muito difícil tentar desvendar alguém a partir do padrão estabelecido tendo como base uma massa.
O que é uma doença? Uma doença é um conjunto de sinais e sintomas oriundos de uma alteração da homeostasia. Então, basicamente, ao longo dos anos médicos foram juntando alterações comuns em indivíduos distintos, aglomerando-as e catalogando-as para poder dar um nome e um tratamento.
Hoje em dia as doenças da moda (e os remédios da moda) são as psiquiátricas.
Terminou um namoro com alguém que amava verdadeiramente e não quer sair da cama? Deve ser depressão! Foi demitido e não sabe como vai sustentar seus filhos? Talvez uma fluoxetina ajude você a seguir em frente...
NOT!
Sofrer é normal. Ou seria anormal? Enfim, experimentar sentimentos nem tão agradáveis, e por vezes completamente desagradáveis, faz parte dessa longa jornada que é a vida (bregão!). Isso facilita a compreenssão das coisas, e, consequentemente, de nós mesmos. E assim permite que nós consigamos seguir em frente, e no futuro lidemos melhor com os eventos indesejados que surgirão. Sim, eles continuarão surgindo sempre!
A excessiva veiculação na mídia das doenças psiquiátricas unida a ausência de interesses legítimos dos médicos, veio como um grande disserviço a população mundial do século XXI.
Com diagnóstico extremamente subjetivo e seus nomes na boca do povo, as doenças psquiátricas acabaram sendo banalizadas e levaram consigo suas drogas para a banalização.
Talvez, se Lewis Carroll vivesse hoje e contasse a um médico as diversas coisas que se passavam em sua mente, teria sido medicado, dopado, adormecido, e exerceria uma profissão qualquer ao invés de canalizar a sua "loucura" para o papel e produzir obras que ficariam como herança para a humanidade.
Aliás, Lewis Carroll foi um exemplo, mas poderia citar ainda, Salvador Dali, Picasso, Einstein, dentre muitos. Dizem que a linha que separa a genialidade da loucura é muito fina. Talvez em alguns casos a diferença não seja necessariamente o lado da linha que se está, mas sim o que se faz neste lugar.
Não quero aqui desmerecer as doenças psiquiátricas e tampouco seus tratamentos. Quero apenas lembrar que cada caso é um caso, e que devido a individualidade de cada um, merecem atenção e tratamento personalizados e não protocolados.
A filosofia clínica, ramo da filosofia que descobri recentemente, fala (dentre várias coisas, obviamente) que as pessoas tem formas distintas de expressar suas emoções. Pode ser falando, pintando, desenhando, compondo, cozinhando, e a lista continua. Concordo. E acho um máximo alguém ter descrito tal percepção.
Tanto esta percepção quanto a frase de Caê são totalmente óbvias. Mas as coisas óbvias, muitas vezes, ficam de lado, não recebem atenção, e portanto, quando ditas, se tornam grandes sacadas!
"Common sense is the least common of all the senses"
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