segunda-feira, 31 de maio de 2010

Dia Mundial Sem Tabaco






Desde 1987 a OMS articula com 192 países a comemoração do dia mundial sem tabaco (31/05), definindo um tema ligado ao tabagismo, com o objetivo de atrair a atenção de todo o mundo sobre esta epidemia e as doenças e mortes evitáveis a ela relacionadas.

Este ano a idéia é colocar a atenção nos efeitos maléficos do "marketing tabágico" sobre as mulheres e meninas ("Gênero e tabaco com ênfase no marketing para mulheres").
As ações visam a alertar sobre as estratégias que a indústria do tabaco utiliza para atingir o público feminino e acerca dos males que seus produtos causam à saúde dessa população e ao meio-ambiente.
Eles também destacam a necessidade de se banir toda a propaganda, promoção e patrocínios da indústria tabagista. Claro que sempre respeitando as constituições e princípios constitucionais dos países.

O número de homens fumantes ainda é maior do que o de mulheres, mas o sexo feminino cresce cada vez mais nas estatísticas.

Por que a OMS, o INCA, e diversas outras organizações sérias e respeitadas em saúde conferem tamanha importância o tabagismo?

O tabagismo é considerado pela Organização Mundial da Saúde a principal causa de morte evitável em todo o mundo. A OMS estima que um terço da população mundial adulta, isto é, 1 bilhão e 200 milhões de pessoas sejam fumantes.

O total de mortes devido ao uso do tabaco atingiu a cifra de 4,9 milhões de mortes anuais, o que corresponde a mais de 10 mil mortes por dia. Caso as atuais tendências de expansão do seu consumo sejam mantidas, esses números aumentarão para 10 milhões de mortes anuais por volta do ano 2030, sendo metade delas em indivíduos em idade produtiva (entre 35 e 69 anos) (WHO, 2003).

No site do INCA sobre tabagismo tem um texto muito, muito interessante sobre os jovens e as mulheres na mira da indústria do tabaco. Vale muito a pena:
http://www.inca.gov.br/tabagismo/frameset.asp?item=jovem&link=namira.htm
Nesta publicação eles citam, e inclusive disponibilizam em pdf, os artigos secretos da indústria do tabaco, que são oriundos de documentos internos de grandes multinacionais do tabaco, revelados durante uma ação judicial movida por estados norte-americanos contra elas. Nestes documentos crianças e jovens são descritos como "reservas de reabastecimento".

E por que o foco nas mulheres? Mais uma forma de machismo fantasiado de qualquer outra coisa?

Eu não acho. Com a rápida alteração de seu papel social, esta fatia da população tornou-se um dos alvos prediletos da publicidade e da indústria do tabaco, que passou a imprimir ao "tubinho de câncer" uma imagem de emancipação e independência.

Estudos confirmam: hoje as meninas experimentam cigarros em maior proporção do que os meninos.
Ainda que a população de homens fumantes seja maior do que a de mulheres, a população de mulheres fumantes cresce mais do que a de homens.

Além disso, os malefícios nas mulheres tem particularidades próprias ao sexo. A mulher fumante tem maior risco de infertilidade, câncer de colo do útero, menopausa precoce e sangramento irregular. Além disso, as gestantes fumantes correm mais risco de sofrerem abortos, terem filhos prematuros, pequenos para a idade gestacional, com disfunções pulmonares, e a lista continua. A interação de anticoncepcional hormonal com o tabaco aumenta as chances de trombose e AVC.

Agora que já veiculei alguma informação importante sobre o tema, vou deixar uma dica de um filme: Obrigado por fumar. Assistam, é alimento para o pensar, até por que um bom filme é uma forma excelente de se refletir para poder debater.

Clima de documentário e comédia, é engraçado, inteligente, toca em assuntos polêmicos que dificilmente escapariam de um tom panfletário de uma maneira muito audaciosa. Exige do telespectador um certo gosto pelo sarcasmo. Além de provocar boas reflexões, provoca excelentes risadas.

Aqui tem uma crítica do filme que eu gostei:
http://omelete.com.br/cinema/critica-obrigado-por-fumar/

Espero que assistam e que gostem.

domingo, 2 de maio de 2010

Siga o seu coelho.

"De perto ninguém é normal." - Caetano Veloso, Vaca Profana

Não gosto muito de Caê! (Pronto. Começo logo dando uma razão para meio mundo me chamar de ignorante para baixo.) Valorizo o trabalho do homem, claro, mas não sou uma grande admiradora de sua obra, tampouco (muito menos seria mais bem aplicado) de sua pessoa. Mas dentre tantas coisas que ele já disse, essa frase da música Vaca Profana, é das mais inteligentes já proferidas pelo indivíduo em questão.

De perto ninguém, ninguém! é normal. Claro que existem aqueles que de longe já demonstram seu "anormalismo". Normal, normal...

Se ninguém é normal, quer seja de perto, quer seja de longe, podemos concluir que o normal, anormal é, e o anormal deve, portanto, ser normalíssimo.

Aqueles que, como eu, questionam sua lucidez frequentemente, encontram nessas palavras alguma paz. De perto ninguém é normal, nem eu.

A percepção do ser como único e individual vai de encontro com essa frase.
Por exemplo, a temperatura de 37ºC, nem considerada febre pelos médicos, é capaz de deixar o meu avô delirando. Isso é dele, e não adianta buscar tal conhecimento em livro algum, pois para ter o saber das partcularidades de cada um deve-se ter conhecimento prático com os indivíduos. De perto, não há padrão. Quando o conhecimento sobre o outro migra da superfície para as profundezas do ser percebemos: É muito difícil tentar desvendar alguém a partir do padrão estabelecido tendo como base uma massa.

O que é uma doença? Uma doença é um conjunto de sinais e sintomas oriundos de uma alteração da homeostasia. Então, basicamente, ao longo dos anos médicos foram juntando alterações comuns em indivíduos distintos, aglomerando-as e catalogando-as para poder dar um nome e um tratamento.

Hoje em dia as doenças da moda (e os remédios da moda) são as psiquiátricas.
Terminou um namoro com alguém que amava verdadeiramente e não quer sair da cama? Deve ser depressão! Foi demitido e não sabe como vai sustentar seus filhos? Talvez uma fluoxetina ajude você a seguir em frente...
NOT!
Sofrer é normal. Ou seria anormal? Enfim, experimentar sentimentos nem tão agradáveis, e por vezes completamente desagradáveis, faz parte dessa longa jornada que é a vida (bregão!). Isso facilita a compreenssão das coisas, e, consequentemente, de nós mesmos. E assim permite que nós consigamos seguir em frente, e no futuro lidemos melhor com os eventos indesejados que surgirão. Sim, eles continuarão surgindo sempre!

A excessiva veiculação na mídia das doenças psiquiátricas unida a ausência de interesses legítimos dos médicos, veio como um grande disserviço a população mundial do século XXI.
Com diagnóstico extremamente subjetivo e seus nomes na boca do povo, as doenças psquiátricas acabaram sendo banalizadas e levaram consigo suas drogas para a banalização.

Talvez, se Lewis Carroll vivesse hoje e contasse a um médico as diversas coisas que se passavam em sua mente, teria sido medicado, dopado, adormecido, e exerceria uma profissão qualquer ao invés de canalizar a sua "loucura" para o papel e produzir obras que ficariam como herança para a humanidade.

Aliás, Lewis Carroll foi um exemplo, mas poderia citar ainda, Salvador Dali, Picasso, Einstein, dentre muitos. Dizem que a linha que separa a genialidade da loucura é muito fina. Talvez em alguns casos a diferença não seja necessariamente o lado da linha que se está, mas sim o que se faz neste lugar.

Não quero aqui desmerecer as doenças psiquiátricas e tampouco seus tratamentos. Quero apenas lembrar que cada caso é um caso, e que devido a individualidade de cada um, merecem atenção e tratamento personalizados e não protocolados.

A filosofia clínica, ramo da filosofia que descobri recentemente, fala (dentre várias coisas, obviamente) que as pessoas tem formas distintas de expressar suas emoções. Pode ser falando, pintando, desenhando, compondo, cozinhando, e a lista continua. Concordo. E acho um máximo alguém ter descrito tal percepção.

Tanto esta percepção quanto a frase de Caê são totalmente óbvias. Mas as coisas óbvias, muitas vezes, ficam de lado, não recebem atenção, e portanto, quando ditas, se tornam grandes sacadas!

"Common sense is the least common of all the senses"

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Vicodin?


Medicina vende. ponto.

Basta perceber na televisão a quantidade de seriados médicos. Independente da emoção que eles passem ao telespectador: felicidade, tristeza, intriga, medo, ..., todos estão unidos por algo em comum: a rotina médica.
Questiono a razão de tanto "voyeurismo". Talvez tenha raiz comum com a sabedoria popular de que "de médico e louco, todo mundo tem um pouco".

Certa vez fui a Mauá, e lá li em uma doceria um papel com ditos populares modificados, parodiados, por assim dizer. Eu tinha 13 anos. Lembro-me de apenas um até hoje: "de médico e louco, todo mundo já está de saco cheio."

Essa excessiva dramatização da rotina médica nos leva a uma realidade na qual a população acredita que conhece uma rotina por acompanhá-la na televisão, deixando de lado o antigo conhecimento de que ficção é ficção; vida é vida. Apesar de uma imitar a outra (fica a questão de quem é o imitador, e quem é o imitado), alhos sempre serão alhos, e bugalhos, bugalhos até a morte!

É muito interessante. Não é raro se ver uma consulta médica na qual o paciente apresenta uma queixa para o examinador, este escuta a queixa, conversa com o doente, examina-o por completo,... Tá, percebo. Eu menti, isso é sim raro. Entretanto, vamos supor que existimos em um mundo no qual a prática médica seja amplamente exercida da forma descrita a cima. Depopis de feito o supracitado, o clínico chega a um diagnóstico cujo tratamento é: boa alimentação, prática diária de exercícios, boas horas de sono, ingesta esporádica de bebidas alcóolicas, abolição do fumo,... basicamente: adoção de hábitos de vida saudáveis. Ou ainda, em um caso mais agudo, a antiga receita da vovó para uma virose: vitamina C e cama.
O queixoso vai para casa decepcionado e insatisfeito: Poxa, não me passou nem um remedinho?!

As pessoas querem acreditar que a cura para seus problemas, para as suas questões, encontra-se em drágeas que devem ser consumidas sob posologia prescrita por outrém (nem esta responsabilidade querem para si.). Haja vista a atual epidemia de doenças psicofundamentadas.
Também temos os mais radicais, que optam pela cirurgia. Para que dieta e consciência corporal? Para que atividade física? Recorramos a faca. Os fins justificam os meios. Mal sabem eles que os fins estéticos não são a causa da prática da saúde, mas sim, consequência dela.

Em meio a isso tudo temos a indústria farmacêutica. Pausa para reflexão. Será que sobreviverei a este post?

Não tenho a pretensão de aqui fazer grandes revelações, ou mesmo extinguir a temática. Aliás, não vou nem emitir minha opinião sobre o assunto. Lidemos apenas com fatos.
Enquanto indústria, depende de pesquisa. Para isso necessita de dinheiro. Como não é amplamente financiada pelos governos mundiais, o comércio, mediado pela propaganda, torna-se o meio de retorno para tal investimento inicial. Mas não em micro escala como um revendedor de móveis e eletrodomésticos, mas sim em uma macro escala da indústria do capital.
Não a toa o estudo inédito "Painel da Indústria Farmacêutica" (PIF), apresentado pela Business School de São Paulo (BSP - sentiu o drama?!), mostrou que a consolidação da IF deve se intensificar nos próximos anos, o meio para tal fim seria mudanças na estratégia geral de aquisição de concorrentes. Basicamente, fusões. Bem como os bancos. Itaú/Unibanco não me deixa(m) mentir.

Um dia tentei explicar para uma criança de menos de quatro anos o significado de uma palavra através do uso do seu oposto.
Se hoje essa criança me perguntasse: "Quêquí cê tá escrevendo?" Eu responderia: "O contrário de simples."

O Vicodin do House começa a fazer mais sentido.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Após os temporais...



As 11:17 de hoje, dia 07/04, oglobo.globo.com noticia que já são 104 mortos no Rio de Janeiro em consequência desta tempestade.

Muito triste. Estou bastante abalada com toda a situação. Eu e toda a cidade.

Todavia, ficar pensando nas coisas ruins não as tornam melhores. E, é justamente nestes momentos críticos que surgem as possibilidades da construção de um caminho direcionado a um futuro melhor.

Crise:
do elemento complementar grego "Krisis": "turning point" em uma doença (usada desta maneira por Hipócrates e Galeno); Literalmente: julgamento, ação ou faculdade de distinguir, ação de escolher, separar decidir, julgar.

Do verbo grego "krino": separar, decidir, distinguir, discernir (dentre vários outros sentidos), cujo radical foi usado na segunda metade do século XIX para designar as glândulas ditas endócrinas (que secretam seus elementos diretamente no sangue), sendo depois utilizada em outros termo médicos como exócrina, apócrino, heterócrino, holócrino, mesócrino.

Do PIE (família das línguas que inclui grande parte das linguas da Europa moderna - o inglês entre elas - e também algumas existentes e extintas no sul e oeste asiático. Presume-se que todas compartilhem um ancestral comum, PIE - sigla em inglês), *krei, distinguir, discriminar.

É. A crise é o momento que permite que tudo mude.

Diz-se que a filosofia surgiu de uma crise. A que os gregos enfrentaram durante a sua expansão marítima ao encontrarem povos que nunca tinham ouvido falar em Zeus, Atena, Apolo,..., e que tinham outras explicações para tudo aquilo que eles justificavam com a mitologia.

Acho que todos nós, cidadãos do mundo, temos que rever nossas atitudes, nossos conceitos, nossa vida, tudo! Afinal, tantos desastres naturais ao redor do mundo em tão curto espaço de tempo, não pode ser sem razão. É consequência da forma que vivemos e tratamos o planeta.

OK. E o que eu posso hoje, agora, através de um blog fazer para tentar melhorar essa situação do Rio?

Infelizmente não temos como voltar atrás para evitar o que se passou com as vítimas dos desabamentos, o que se pode fazer é evitar novas vítimas, mas não só do desabamento.

Vamos evitar as vítimas da lepstospirose, hepatites A e E, doenças diarreicas, dengue, febre tifóide, cólera e tétano.
As inundações e as chuvas podem levar a surtos de muitas doenças. Como evitá-las?

A leptospirose, as hepatites A e E, as doenças diarreicas e a febre tifóide ocorrem mais comumente em áreas onde a infra-estrutura de saneamento básico é inadequada ou inexistente. Podem ser adquiridas pela ingestão de água e alimentos contaminados pelas inundações (leptospirose , hepatites, doenças diarreicas, febre tifóide e cólera) ou através do contato direto das pessoas com a água e a lama das enchentes (leptospirose).

A leptospira (bactéria causadora da leptospirose) é eliminada através da urina de animais, especialmente o rato de esgoto, e sobrevive no solo úmido e na água. Sabendo disso é fácil concluir que as inundações facilitam o contato da bactéria com os seres humanos. Ela pode penetrar no organismo pelo contato da pele e das mucosas com a água e a lama das enchentes. Além disso as pessoas também podem ser contaminadas através da ingestão (já que as inundações podem contaminar a água de uso doméstico e os alimentos). Quando ocorrem, as manifestações aparecem em um intervalo de 2 a 30 dias após a infecção. Suas manifestações iniciais devem ser diagnosticadas e tratadas precocemente e são clinicamente indistinguíveis das da dengue.

As chuvas, e não as inundações, podem facilitar a ocorrência de dengue, uma vez que o acúmulo de água relativamente limpa em qualquer recipiente (vasos de plantas, latas, pneus velhos etc.) permite a proliferação do Aëdes aegypti.

A hepatite A é causada por um vírus, sua transmissão é fecal-oral, podendo ocorrer por meio da ingesta de água e alimentos contaminados ou de um ser-humano para outro. Em regiões onde o saneamento básico é precário ou ausente esta infecção é muito comum mesmo na ausência de inundações, por isso, a maioria da população desses locais já foi infectada quando criança e hoje tem imunidade contra a doença. Em crianças a hepatite A é comumente assintomática ou tem manifestações discretas.

A hepatite E tem transmissão e evolução semelhantes às da hepatite A, porém está mais associada a inundações.

A Salmonella typhi, bactéria causadora da febre tifóide, é adquirida pela ingestão de água e alimentos contaminados. Durante as inundações não parece haver risco significativo de epidemias, uma vez que para ocorrer a infecção é necessário ingerir uma grande quantidade de bactérias que, provavelmente, são "diluídas" pela grande quantidade de água. Todavia, pode haver contaminação de poços, sistema de abastecimento e de alimentos, com proliferação da bactéria subsequentemente, possibilitando a ocorrência de casos.

O tétano é causado pela contaminação de ferimentos com o Clostridium tetani, uma bactéria que é encontrada normalmente no solo, no esterco, na superfície de objetos. Os transtornos causados pelas enchentes (remoção de entulhos e lama etc.) podem ser fatores facilitadores para ferimentos. Pode parecer que a vacinação em massa contra o tétano seja uma medida útil, mas ela pode surtir efeito contrário ao criar uma falsa sensação de segurança. Uma pessoa que nunca tenha sido vacinada não ficará imunizada contra o tétano com apenas uma dose.
A profilaxia do tétano será feita mais adequadamente em uma Unidade de Saúde, uma vez que envolve cuidados com o local do ferimento e depende da história de vacinação. Se o indivíduo nunca tiver sido vacinado ou estiver com o esquema vacinal incompleto pode ser necessário que, dependendo do tipo de ferimento, além dos cuidados com o local do ferimento e da vacina, receba também imunização passiva (imunoglobulina antitetânica ou, na sua falta, soro antitetânico). Em adultos não vacinados, o esquema completo é feito com três doses. Vale lembrar que o esquema não é suficiente para conferir imunidade, as pessoas devem receber a dose de reforço a cada dez anos.

Outro problema de saúde ligado à contaminação da água são as doenças diarréicas agudas. Essas doenças apresentam, como sintomas, vômito, diarréia e febre (mais comum nas crianças). A diarréia oferece o risco de desidratação. A perda excessiva de líquidos pode até mesmo levar a pessoa à morte. Por isso as seguintes medidas são recomendadas: tomar muito líquido, utilizar o soro caseiro e procurar um profissional de saúde, evitando a automedicação.

Enquanto a leptospirose é uma preocupação imediata, a dengue tem um risco prolongado, visto que deve gerar preocupações ainda por muitos meses. Quando a inundação acabar os ratos voltam para seus "lares", os esgotos, e os seus xixis e leptospira voltam com eles, já as fêmeas dos mosquitos Aedes podem deixar muitos ovos pela cidade.

A profilaxia mais efetiva para todas estas doenças é feita através do tratamento correto da água e da preparação adequada de alimentos. Ingerir apenas água filtrada ou fervida é mandatório! Lavar bem os alimentos antes de consumí-los também. No intuito de evitar (mais) uma nova epidemia de dengue é importante que a população retire a água de todos os locais que ela esteja armazenada e feche possíveis reservatórios. Medidas básicas de higiene como lavar as mãos após utilizar o banheiro e antes das refeições devem ser parte da rotina de qualquer indivíduo. Quem tiver sido vacinado contra o tétano há 10 anos ou mais deve fazer o reforço.

Mudando de assunto, mas continuando no mesmo, acho que um evento como esse é um alerta para a necessidade da saúde pública caminhar junto com as reformas urbanísticas da cidade. Nada é separado, nada existe sozinho, as coisas coexistem.

"Tudo que existe existe talvez porque outra coisa existe. Nada é, tudo coexiste: talvez assim seja certo."

Fernando Antônio Nogueira Pessoa - Livro do Desassossego


Fontes:
dicionário Houaiss
portal.saude.gov.br
cives.ufrj.br/
noticias.uol.com.br
oglobo.globo.com/plantao
http://blogs.estadao.com.br/olhar-sobre-o-mundo/drama-no-rio/ - foto
http://www.etymonline.com/

domingo, 4 de abril de 2010

Carta de Noel Rosa a Edgar Graça Mello

Belo Horizonte, 27 de janeiro de 1935

Meu dedicado médico e paciente amigo Edgar.
Um abraço.
Se tomo a liberdade de roubar mais uma vez seu precioso tempo, é porque tenho certeza de que você se interessa por mim muito mais do que eu mereço.
Assim sendo, vou passar a resumir as notícias que se referem à marcha do meu tratamento.
E, para amenizar as agruras que tal leitura oferece, resolvi fazer uso das quadras que se seguem:

Já apresento melhoras:
Pois levanto muito cedo
E... deitar às nove horas
Para mim, é um brinquedo!

A injeção me tortura
E muito medo me mete;
Mas... minha temperatura
Não passa de trinta e sete!

Nessas balanças mineiras
De variados estilos
Trepei de várias maneiras
E... pesei cinqüenta quilos!

Deu resultado comum
O meu exame de urina.
Meu sangue: - noventa e um
Por cento de hemoglobina.

Creio que fiz muito mal
Em desprezar o cigarro:
Pois não há material
Pra meu exame de escarro!

Até agora, só isto.
Para o bem dos meus pulmões,
Eu, nem brincando desisto
De seguir as instruções.

Que meu amigo Edgar
Arranque deste papel
O abraço que vai mandar
O seu amigo
Noel.


Sambista, cantor, compositor, bandolinista e violonista brasileiro, Noel Rosa foi um dos grandes nomes da música brasileira.

Hoje é extremamente comum em grandes metrópoles de todo o mundo vermos "meninos do asfalto" fazerem a conexão com a cultura do "morro". Noel Rosa foi vanguarda nesta história. O Hip Hop estado-unidense que se propaga hoje por todo mundo é uma outra versão (mais moderna, com uma maior amplitude - globalização tá aí!) do que Noel viveu e fez com o samba no final dos anos 20 e nos 30.

Perdemos esse grande artista precocemente, em 1937, com 26 anos, vítima da tuberculose.

O mais recente post do blog "saúde e etc" (http://saudeeetc.blogspot.com/) é uma explicação curta, simples e bem esclarecedora do que é esta velha doença, que, nos dias de hoje, ainda reúne esforços do MS e da OMS na intenção de diminuir suas vítimas. O impacto da tuberculose no mundo atualmente ainda é tão grande que existe uma organização voltada apenas para tentar freá-la, a Stop TB.

O MS veicula na mídia um importante recado: TOSSE POR UM PERÍODO IGUAL OU SUPERIOR A TRÊS SEMANAS ININTERRUPTAS PODE SER TUBERCULOSE, quem apresenta este sintoma deve procurar um profissional de saúde para auxílio. A intenção de passar este conhecimento para a população é aumentar a detecção dos casos de tuberculose permitindo, portanto, seu tratamento. Essa é uma grande arma contra essa doença, mas não a única.

Um grande problema que fundamenta a ainda elevada prevalência da tuberculose é o abandono do seu tratamento.

A tuberculose tem um tratamento muito demorado (no mínimo seis meses), mas o paciente começa a sentir-se bem ao final de algumas semanas do seu início. Quando sente-se bem, a importância dada ao ato de medicar-se reduz consideravelmente, principalmente mais de uma droga, mais de uma vez por dia, por vários meses, e neste momento muitos abandonam o tratamento. Esse abandono do tratamento pode induzir a resistência bacteriana as drogas, fato que justifica o aparecimento de cepas resistentes ao tratamento no mundo todo. A seleção de bacilos resistentes culmina em uma doença muito mais difícil de tratar.

A ADESÃO AO TRATAMENTO DA TUBERCULOSE É ALGO MUITO IMPORTANTE! PARA O INDIVÍDUO CONTAMINADO E TAMBÉM PARA TODO O MUNDO! AS BACTÉRIAS MULTIRRESISTENTES NO FUTURO INFECTARÃO OUTRAS PESSOAS.

O tratamento da tuberculose é gratuito e está disponível nas unidades de saúde pública do País. A rede privada não oferece atendimento para doença, e os medicamentos não podem ser comprados em farmácias.

Importante: Existe muita controversa com relação a eficácia da BCG (vacina da marquinha do braço que proteje contra a TB). Atualmente o mais aceito é que ela proteja contra as formas graves da doença, portanto mesmo aqueles que foram vacinados contra a doença podem desenvolvê-la.



Último Desejo

"Nosso amor que eu não esqueço, e que teve o
seu começo
Numa festa de São João
Morre hoje sem foguete, sem retrato e sem bilhete,
sem luar, sem violão
Perto de você me calo, tudo penso e nada falo
Tenho medo de chorar
Nunca mais quero o seu beijo mas meu último desejo
você não pode negar
Se alguma pessoa amiga pedir que você
lhe diga
Se você me quer ou não, diga que você
me adora
Que você lamenta e chora a nossa separação
Às pessoas que eu detesto, diga sempre que eu não
presto
Que meu lar é o botequim, que eu arruinei sua vida
Que eu não mereço a comida que você pagou pra mim"

Noel Rosa

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Tim Maia, chocolate, o tráfico de drogas e a educação em saúde!


-O Senhor aceita um cafezinho?
-Não! Eu quero chocolate!

- Que seja com alto teor de cacau, Tim!

Tim Maia, figuraça(AÇA!) da música brasileira, tinha o costume de chamar o haxixe (resina extraída das folhas e inflorescências do cânhamo, cujo uso é muito comum no Oriente) de chocolate.
Quem leu a biografia do cantor, como eu, sabe disso. Quem não leu, recomendo, é um excelente entretenimento.

Estava no trânsito, pensando sobre o meu post anterior: chocolate, Tim Maia, haxixe, tráfico de drogas, Rio de Janeiro, vida... Surgiu na minha cabeça este post.

Fazer uma conexão do impacto do tráfico de drogas na saúde pública não é trabalho nenhum para qualquer morador de uma grande cidade do mundo como o Rio de Janeiro. Mas, normalmente, se pensa no impacto das drogas na saúde dos indivíduos. Os inúmeros malefícios que o uso rotineiro de tais substâncias podem acarretar nos organismos e suas consequências para o sistema de saúde.
Mas eu estava pensando em outra coisa...

O comércio ilegal das drogas e armas é enorme, diariamente vários cidadãos estão envolvidos em tais atividades. Esse é o seu trabalho, é de onde tiram o seu sustento, o que lhes permite viver. Viver por pouco tempo, visto que a expectativa de vida neste ramo comercial é baixíssima. Encontrar um traficante com mais de 30 anos é tão difícil quanto comprar alcóol em gel num surto de gripe suína ou repelente em uma epidemia de dengue aqui na Cidade Maravilhosa.
Como qualquer carreira, esta é uma escolha de um cidadão, e quem opta por seguí-la, provavelmente, não vê na morte precoce um problema. Tudo isso abre margem para inúmeras reflexões e (acaloradas) discussões por si só, e eu sei que estou sendo um pouco taxativa e simplista com algumas afirmações, mas isso é só para que eu consiga chegar no meu ponto, não posso contemplar tudo que o tema permite em um único post. Então vamos lá.

Tenho certeza de que tal vida efêmera tem um impacto enorme na saúde pública. Na saúde coletiva. Na saúde da cidade. Principalmente no que diz respeito as doenças infecto-contagiosas, em especial aquelas sexualmente transmissíveis.

Quando se fala em saúde pública se fala em prevenção.
Prevenir o que? Bom, se estamos falando de um coletivo devemos nos focar nas doenças mais comuns e que são as maiores responsáveis pelas mortalidade e mortandade de uma cidade. Dessas podemos destacar, por exemplo, o diabetes e a hipertensão arterial, que acometem grande parte da população e tem duras consequências a longo prazo. Hábitos de vida saudáveis podem prevenir (em parte) essas doenças, e isso se atinge através da conscientização da população, da educação. Porém, essas doenças (bem como outras) não são relevantes na população supracitada pela faixa etária de prevalência.

Diferentemente destas, as DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) tem a sua maior incidência entre os jovens. Dentre estas patologias destaco a AIDS e a hepatite B, por ainda não terem cura, e o HPV por ser diretamente ligado a virtualmente todos os casos de câncer de colo uterino.
A forma de se prevenir as DSTs é a mesma para todas: CAMISINHA! Algo prático e gratuito (o governo distribui e o acesso é fácil). Mas, mesmo assim, nem todo mundo usa, e isso também é tema para inúmeras reflexões e debates calientes.

O grande problema das DSTs (quando se fala em coletivo) é que, diferentemente da H.A.S., as pessoas contaminam outras. Não é uma doença que um indivíduo tem e "é problema dele", é problema nosso, visto que um portador coloca algumaS pessoaS em um grupo de risco.
Mas, apesar da diferença na propagação, a solução é a mesma da pressão alta: conscientização da população, educação.

É aqui que todo o meu texto vai se unir. Tcharãn!

Por que um indivíduo que não se importa em morrer antes dos 30 devido a sua atividade laboral se importaria em contrair uma doença que o mataria dentro de 10, 20, 30, 40 anos?

OK, ele vai ingerir muito sal, fumar muitos cigarros, comer muita gordura trans, levar uma vida sedentaria e beber até cair todos os dias de sua vida, sem nunca ver a hipertensão chegar. Nem a cirrose e nem o câncer de pulmão, porque para isso ele teria que viver mais. Sem problemas.

Mas, mais uma vez, estas doenças não são transmitidas de um indivíduo para outro.

E as DSTs?

Provavelmente ele já terá morrido em exercício de sua profissão antes da hepatite falir o seu fígado, ou da AIDS tornar seu sistema imune fraco demais para vencer uma "gripe boba". Todavia suas parceiras provavelmente terão uma vida mais longa e outro(s) parceiro(s).

O transmissor, que não se preocupou e tampouco sofreu as consequências de uma infecção, deixou para sua viúva um câncer de colo em 15 anos. Uma outra viúva contaminou seu namorado seguinte com o HIV, este rapaz era "saidinho" e contaminou aproximadamente 20 outras mulheres. Uma delas se casou, teve filhos, todos HIV positivo. E por aí vai...

Quando se fala em doenças infecto-contagiosas uma pessoa contaminada abre uma gama de possíveis contaminações grande, e cada nova pessoa contaminada abre um novo espectro, aumentando progressivamente os possíveis (e prováveis) novos infectados.
Agora eu retomo a minha questão.
COMO?
Como se conscientiza alguém a cuidar de sua saúde, de sua vida, se esta é algo que o indivíduo em questão valoriza de uma forma tão distinta da população para qual as campanhas de educação estão voltadas?

Como eu poderia responder a essa pergunta se tenho uma visão de mundo tão distinta daquela que IMAGINO que o grupo de pessoas ao qual me refiro tenha, visto que o valor que imprimimos as coisas é completamente influenciado pelo meio no qual vivemos.

Mas se o objetivo é atingir muitas pessoas não adianta apenas pensar e falar com valores próprios.

Aliás, como não se reduz a visão de mundo de uma pessoa, a uma visão de mundo de um grupo de pessoas? Claro que o meio é importante, mas ele não é tudo. Existe um fator pessoal muito importante no que diz respeito a pensamento. Óbvio? Tenho minhas dúvidas...

Aqui na "cidade maravilha purgatório da beleza e do caos" muitos cidadãos trabalham com o tráfico. Saber como conscientizá-los, como educá-los em termos de práticas de saúde, principalmente no que diz respeito as doenças que tem o homem como vetor, é algo muito importante para uma cidade mais saudável.

Paulo Freire disse que "ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo", complemento isso com outra frase dele, "Assumir-se como sujeito porque capaz de reconhecer-se como objeto".

Quem sabe um dia (se a minha vida seguir esse caminho), com experiência prática de saúde pública, de prevenção, eu tenha um esboço de resposta para essa e tantas outras questões.

Enquanto isso não acontece, se alguém tiver algo a dizer, é só postar.

quarta-feira, 31 de março de 2010

É de chocolate!


Por de trás do arco-íris além do horizonte
Há um mundo encantado feito pra você
Onde o sonho colorido mora atrás do monte
Quero te levar comigo quando amanhecer
Vou te mostrar que é de chocolate
De chocolate o amor é feito
De chocolate choc choc chocolate bate o meu coração
Choc choc choc choc choc choc chocolate
Choc choc choc choc choc é de chocolate
E numa casinha de biscoito e de sorvete
Você vai me esperar a cada anoitecer
Brigadeiro, rocambole e doce de leite
É só você tomar cuidado pra não derreter
Vou te mostrar que é de chocolate
De chocolate o amor é feito
De chocolate choc choc chocolate bate o meu coração
Choc choc choc choc choc choc chocolate
Choc choc choc choc choc é de chocolate
La la la la...

Duvido muito que na época da composição desta música a Xuxa (?) soubesse dos benefícios das substâncias fenólicas (contidos no chocolate amargo) ao coração, mas, ela acertou. De chocolate, choco, choco, chocolate (também) bate o nosso coração! Em clima de Páscoa, vamos lá!

Os flavonóides do chocolate são a epicatequina e o ácido gálico, que são antioxidantes. Uma substância antioxidante é aquela que combate os radicais livres, como por exemplo as vitaminas A, C e E.

Os radicais livres, como o nome diz, são livres, estando disponíveis para reações químicas que podem ser a causa ou agravadores de condições como envelhecimento das céluas, Mal de Alzheimer (e outras demências), câncer, diabetes, tensão pré menstrual, endometriose, catarata, ateroesclerose, HAS, depressão, e a lista continua...

Os flavonóides contidos nas versões escuras do chocolate diminuem a chance de coagulação do sangue, principal causa de derrames e ataques do coração.

Outro poderoso antioxidante é o polifenol, encontrado em abundância no chocolate amargo. Esse composto mostrou-se eficaz no combate à hipertensão, um dos principais fatores de risco para as doenças cardiovasculares

Um estudo publicado no Journal of the American Medical Association, feito por pesquisadores da Universidade de Colônia, na Alemanha, atestou que duas barras pequenas de chocolate amargo por dia podem baixar a pressão arterial de pessoas portadoras de H.A.S, diminuindo a chance de suas complicações.
O estudo foi feito da seguinte forma: Pacientes com idades entre 55 e 64 anos que não recebiam tratamento medicamentoso para a pressão foram acompanhados por duas semanas pelos médicos. Terminado o período foi registrada uma queda de cinco pontos na pressão sistólica (a maior) e de quase dois pontos na diastólica! Viva o chocolate!

Outro estudo, publicado pela revista Nature e feito por pesquisadores da Universidade de Glasgow e do Instituto de Pesquisa em Alimentos e Nutrição da Itália, concluiu que o consumo de chocolate amargo por homens e mulheres saudáveis com idades entre 25 e 35 anos aumentou em até 20% a quantidade de substâncias antioxidantes circulantes no corpo, previnindo, portanto, danos as artérias coronárias! Viva o chocolate!

Fernanda A. Pimentel desenvolveu um estudo comparativo entre um chocolate desenvolvido, não comercial (com 71% de cacau, cujo liqueur de cacau era extremamente rico em polifenóis e flavonóides), com chocolates comerciais meio amargos contendo 50%, 70%, 72%, 86% e 99% de cacau, e chocolates comerciais branco, ao leite e meio amargo. O chocolate especialmente desenvolvido para o estudo demonstrou menor quantidade de polifenóis em relação as amostras comerciais de chocolate amargo, porém, similar quantidade de flavonóides. Quando comparado aos chocolates branco, ao leite e meio amargo, ele mostrou superioridades significativas tanto nos teores de polifenóis quanto nos de flavonóides. Isso por que essas substâncias que são nossas aliadas para uma vida saudável estão presentes no cacau, logo, quanto maior a quantidade dessa fruta, maior a quantidade dos flavonóides. Chocolates ao leite, branco e o meio amargo convencional tem pouco cacau.

Esses flavonóides do chocolate amargo são também encontrados na casca da uva vermelha!

Ou seja, o chocolate amargo faz bem pela mesma razão que o vinho tinto.

As notícias são animadoras, mas, atenção: Moderação é importante! Chocolate (mesmo o amargo) é rico em açúcar e gorduras, e por isso contribuem para aumento do peso e dos níveis de colesterol!

Uma boa forma de consumir essa deliciosa iguaria é derretê-la e comer com frutas. Ou na forma de fondue, ou colocar na geladeira para fazer uma capinha dura ao redor. Dessa forma, além de ficar uma delícia (ai, morangos com chocolate...), diminui-se a quantidade de chocolate ingerida sem sofrimento.


Chocolate! Chocolate! Chocolate!
Eu só quero chocolate
Só quero chocolate
Não adianta vir com guaraná
Prá mim é chocolate
O que eu quero beber...(2x)

Não quero chá
Não quero café
Não quero coca-cola
Me liguei no chocolate
Só quero chocolate
Não adianta vir com guaraná
Prá mim é chocolate
Que eu quero beber...

Chocolate! Chocolate! Chocolate!

Chocolate! Chocolate! Chocolate!
Eu só quero chocolate
Só quero chocolate
Não adianta vir com guaraná
Prá mim é chocolate
O que eu quero beber...(2x)

Não quero chá
Não quero café
Não quero coca-cola
Me liguei no chocolate
Eu me liguei!
Só quero chocolate
Não adianta vir com guaraná
Prá mim é chocolate
O que eu quero beber...

Chocolate! Chocolate! Chocolate!

-O Senhor aceita um cafezinho?
-Não! Eu quero chocolate!

- Que seja com alto teor de cacau, Tim!

domingo, 28 de março de 2010

Curtinha!

O Blog da saúde postou um texto do American Journal of Clinical Nutrition falando sobre a associação do consumo de sal com o câncer gástrico. Para quem quiser conferir: http://blogdasaudeonline.blogspot.com/2010/03/consumo-excessivo-de-sal-pode-aumentar.html

É possível perceber que se sabe pouco sobre o tema, mas, me parece que estamos diante de um embrião do conhecimento da associação do sal com uma nova patologia.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Água de beber



http://www.youtube.com/watch?v=6VCNIWmxaps

Eu quis amar mas tive medo
E quis salvar meu coração
Mas o amor sabe um segredo
O medo pode matar o seu coração

Água de beber
Água de beber, camará
Água de beber
Água de beber, camará

Eu nunca fiz coisa tão certa
Entrei pra escola do perdão
A minha casa vive aberta
Abri todas as portas do coração

Água de beber
Água de beber, camará
Água de beber
Água de beber, camará

Eu sempre tive uma certeza
Que só me deu desilusão
É que o amor é uma tristeza
Muita mágoa demais para um coração

Água de beber
Água de beber, camará
Água de beber
Água de beber, camará

Vinícius de Moraes



A água é extremamente importante para a manutenção da vida. Nenhum animal ou vegetal vive sem esse elemento. O que homem pode passar semanas sem comida, mas não passa mais do que quatro dias sem água.

Aproximadamente 60% do peso de um adulto é formado de água, em um recém nascido esta quantidade chega a 80% e em um idoso 50%. Envelhecer é desidratar aos poucos.

A água é fundamental para praticamente todos os eventos do corpo humano. Ela participa da digestão, absorção e transporte de nutrientes, é meio para diversos processos químicos, ajuda na manutenção da temperatura corpórea, tem papel de solvente para resíduos, além de diluí-los, reduzindo assim sua toxicidade e ajudando portanto no processo de excreção. A água é necessária `a formação de todos os tecidos do corpo, fornece base para o sangue e todas as secreções líquidas.

A água presente no sangue facilita o transporte dos minerais e das vitaminas fortalecendo as defesas do organismo.

Não existe no mundo melhor hidratante do que a própria água, logo ela é também uma importante aliada da estética! Em um organismo hidratado as vitaminas e os minerais chegam mais rápido à pele, ao cabelo e às unhas. Como já disse, desidratar é parte do envelhecimento, a pele de um idoso não é tão bonita, macia, esticada, ..., quanto a de um jovem por esta perda de água. Poupe o dinheiro do botox! Hidrate-se! (como prevenção, obviamente)

Ainda pensando no visual, ao melhorar a circulação do sangue e a eliminação de toxinas, a ingesta de água auxilia o tratamento da celulite e da flacidez, além de prevenir o seu aparecimento.

É muito importante no tratamento de obesidade ao estimular o metabolismo, ao preencher parte do estômago aumentando a saciedade, e ao "inchar" as fibras decorrentes da alimentação fazendo com que elas ocupem maior espaço gástrico.

Quando uma pessoa está hidratada, o volume de sangue aumenta. Com mais água em circulação, o organismo não retém muito sódio, que é o responsável pelo inchaço.

Também se faz importante na vida daqueles que sofrem de constipação, ao aumentar o bolo e diminuir a consistência das fezes, sua saída é facilitada.

Muitos falam em necessidade mínima da ingesta de água, algumas leituras e a forma como eu vejo o mundo me fazem questionar muito esse tipo de padronização. Cada indivíduo é único, cada organismo funciona da sua forma, e temos o mecanismo da sede para nos avisar quando sua ingesta se faz necessária. Muita gente já concorda hoje em dia que devemos beber água quando sentirmos sede ao invés de ficarmos tentando alcançar metas de quantidade mínima necessária.

Saiu há algum tempo uma reportagem no Globo dizendo que toda água mineral tem propriedades medicinais, mas que a nossa legislação (diferentemente da legislação de outros países) não confere aos fabricantes o direito de propagandear isso. Nesta mesma reportagem o presidente da ABINAM (Associação Brasileira de Indústria de Água Mineral) - suuuuuuuuuspeito! - citou algumas dessas propriedades:

DIGESTIVA: A água deve ter mais de 120mg de bicarbonato por litro.
DIURÉTICA: A composição deve apresentar menos de 5mg/L de sódio.
FORTIFICAÇÃO ÓSSEA: Mais de 48 mg de cálcio por litro
CONTRA ANEMIA: Mais de 5mg/L de ferro
LAXANTE: Deve conter mais de 38mg/L de magnésio

Apesar da fonte dessa informação ser suspeita, elas me parecem apenas lógicas se nos focarmos nos problemas e no papel que determinados eletrólitos tem para resolvê-los. A maioria já é senso comum, por exemplo, acredito que a grande maioria da população já saiba que o cálcio é importante para os ossos, que um anêmico necessita de ferro, e por aí vai...

Não quero ser irresponsável com este post! Nem tudo que parece é. Caso alguém tenha alguma queixa de saúde deve procurar um médico, afinal, uma anemia pode ser mais do que uma deficiência de ferro, uma prisão de ventre pode ser mais do que apenas um intestino preguiçoso, e a lista continua.

Uma ingesta adequada de água permite um melhor funcionamento do metabolismo de um indivíduo. Um metabolismo funcionando melhor resulta em uma vida melhor, quando o nosso corpo está mais harmônico a tendência é que nossa mente siga o mesmo caminho.

Apesar de todas as bebidas e quase todas as comidas conterem água, a ingesta de água propriamente dita é fundamental para as pessoas.

Mas atenção! Não é qualquer água que é água de beber, camará! Para ser bebida a água deve estar filtrada ou fervida e guardada em local tampado longe de animais domésticos e produtos químicos. Apesar de ser uma aliada da nossa saúde, quando consome-se a água não tratada ela também pode ser vetor de inúmeras doenças.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Ainda o sal




Da Wikipédia:

Pedra do Sal é um monumento histórico e religioso da cidade do Rio de Janeiro, localizado no bairro da Saúde, perto do Largo da Prainha, Rio de Janeiro, Brasil.

É onde se encontra a Comunidade Remanescentes de Quilombos da Pedra do Sal. Tombado em 20 de novembro de 1984, pelo INEPAC - Instituto Estadual do Patrimônio Cultural.

É um local de especial importância para a cultura negra carioca e para os amantes do samba e do choro. Pode ser considerada como o núcleo simbólico da região chamada de Pequena África, que era repleta de zungus, casas coletivas ocupadas por negros escravos e forros.

Na Pedra do Sal, que fica a 100 metros do Largo da Prainha, reuniam-se grandes sambistas do passado, como Donga, João da Baiana, Pixinguinha e Heitor dos Prazeres.

Partindo de sua base, no Largo do João da Baiana, e subindo por degraus escavados na pedra, pode-se subir para o Morro da Conceição.


Do site: http://www.samba-choro.com.br/casas/491:

A Pedra é aquele lugar histórico e agradabilíssimo aos pés do Morro da Conceição, na Gamboa. O samba é comandado pelo grupo Batuque na Cozinha, liderado pelo percussionista e gente-boa André Pressão. O espaço é democrático, sempre chegam músicos e compositores para tocar e cantar. O som é acústico. Bacana que eles abrem espaço para as pessoas cantarem músicas de sua própria autoria.

O samba começa às 18 horas, mas a partir das 16 horas já é servido um PF no Bodega do Sal, boteco ao lado da roda. Pode ser carne assada com macarrão, rabada... Depende do dia. O boteco é daqueles da antiga, com mesas de madeira escura e cervejas de garrafa.

A música costumava acabar às 22 horas, mas está tudo tão animado e gostoso que pode ir até as 23h.

Como chegar: fácil. Não tem o Largo São Francisco da Prainha, onde tem a roda dos Escravos da Mauá? Então, pegue a rua à esquerda do Largo (rua, não o beco), siga em frente e vire à esquerda.

Se chover o samba rola, porque agora eles têm um toldo.

Ei, estreou às quartas no mesmo local uma outra roda, focada em sambas inéditos e comandada por compositores como Raul Dicaprio, Anderson Baiaco e Wantuir.

A foto é do site: http://riodejaneiroadezembro.files.wordpress.com/2009/12/morro-da-conceicao.jpg